O PROBLEMA NUNCA FOI FALTA DE REPERTÓRIO
Vinte e um exercícios, um por dia, de 15 a 60 minutos. Só papel e caneta. Todo dia você senta sabendo exatamente o que fazer.
No vídeo eu explico três coisas:
volta quando quiser
exercícios práticos
dias de garantia
Tudo que você pensa parece já existir.
Quanto mais referência você acumula, mais difícil fica saber o que ali é seu de verdade.
Entra muito e não sai nada.
Livro lido, filme visto, música ouvida, referência salva. Tudo parado no mesmo lugar em que entrou.
Você espera a ideia chegar.
E enquanto ela não chega, você não começa. Só que ela nunca foi pré-requisito. Ela é consequência de você ter começado.
Você já tentou resolver do jeito mais óbvio: achou que ainda não tinha lido o suficiente, e leu mais. Isso durou anos e continuou não saindo nada.
Depois comprou curso, entrou num desafio de trinta dias, criou uma pasta no computador com nome de projeto. Chegou no dia quatro. A pasta tá lá até hoje.
Aí veio a conclusão mais fácil e mais errada de todas: que criatividade é uma coisa que uns têm e você não.
Não é. Você tem matéria-prima de sobra. Nunca te ensinaram o que fazer com ela.
Você passa vinte e um dias produzindo sem esperar inspiração nenhuma. E aí a espera perde a função, porque você já provou pra você mesmo que não precisa dela.
Sabe começar sem ideia, usando restrição e acaso como partida.
Sabe tirar símbolo de coisa banal, de um objeto, de uma rotina, de uma cena de filme.
Sabe construir personagem por temperamento e mundo por sensação.
Sabe contar uma coisa sem explicar ela toda.
Nada disso é talento. É repetição com direção, e você fez vinte e uma vezes.
A prova está no teu caderno: três personagens, uma paisagem inteira, um mito recontado, um sistema de sete símbolos e um manifesto de duas páginas sobre o criador que você é.
01
Imaginário é o nome que eu dou para a tua criatividade. Não a inspiração que vem e vai, mas o repertório que você acumulou e o que você consegue fazer com ele.
E ninguém nasce com esse imaginário pronto. O que existe é um terreno, e o tamanho dele depende de uma coisa só: quanto você anda por ali.
Você já viu isso funcionando. Quem trabalha com carro olha um estacionamento e vê modelo, ano, estado do para-choque. Você olha o mesmo estacionamento e vê carro. Não é dom, é terreno pisado.
Com o teu imaginário é igual. Ele se expande à medida que você pisa nele e se contrai do mesmo jeito quando você abandona.
02
Por isso ler mais nunca resolveu.
Leitura é entrada. Ela põe material no terreno, mas material empilhado não é território, é depósito.
O que expande é uso. É pegar o que entrou e obrigar aquilo a virar outra coisa: imagem, personagem, símbolo, cena.
03
E treino de saída é treino.
Repare no que fizeram com você na escola. Mandaram ler e mandaram interpretar o que o autor quis dizer. Ninguém nunca te mandou pegar aquilo e fazer coisa nova. Doze anos treinando entrada e zero minuto treinando saída.
Não é iluminação, não é talento, é repetição com direção. Igual a piano, saque de tênis ou qualquer outra coisa.
Só faltava dividir isso em exercício.
O que você faz hoje
O que você passa a fazer
Não se trata de jogar fora o que você acumulou. É o contrário. Trata-se de finalmente pôr esse acervo pra trabalhar.
Vinte e um dias. Vinte e um exercícios. Um por dia.
O dia abre com um vídeo curto.
Eu apresento o exercício, digo de onde ele veio e o que ele treina.
Você fecha o vídeo e faz.
De 15 a 60 minutos. Eu falo o tempo antes, então você sabe quanto o dia vai custar.
Caderno e caneta.
Não precisa de mais nada. Eu prefiro à mão e explico o motivo lá dentro.
As 7 primeiras aulas abrem juntas.
Depois sai uma por dia. Atrasou, recupera. Quis adiantar, adianta.
Nenhum dia termina sem tarefa.
Não é aula pra assistir, é exercício pra fazer.
No dia 21 tem o epílogo, onde eu fecho a conta do que você fez em três semanas.
Não é trend nem desafio de internet.
Não tem hashtag, não tem marcar amigo, não tem dinâmica de engajamento. Cada exercício treina uma coisa específica e vem com o nome de quem formulou aquilo.
Não é curso teórico.
Você não vai assistir vinte e uma aulas sobre criatividade. Vai fazer vinte e um exercícios.
Não é oficina de escrita.
Eu não ensino gramática nem técnica formal. Se o que você quer é aprender a escrever bonito, não é aqui.
Não tem comunidade, correção nem suporte.
Ninguém vai ler o que você fez e ninguém vai te cobrar. É você, o exercício e o caderno.
E eu não vou te prometer obra-prima em três semanas. Duvido que saia, e não precisa sair. É o que eu falo na abertura do curso e repito aqui:
Percebam que não é uma promessa milagrosa, mas uma promessa de treinamento, de trabalho. Ela é simples, é inicial, é um ponto de partida. Porque todos precisamos partir de algum lugar.
É isso que está sendo vendido aqui: vinte e um dias de trabalho e um ponto de partida no fim deles.
Quem tem muito repertório conhece tanta referência que começa a desconfiar da própria ideia. Isso já não foi feito? Será que eu tô copiando? Onde termina a influência e começa o que é meu?
Eu não vou te pedir pra apagar as tuas influências. Isso não existe, e quem promete isso tá mentindo.
Influência não termina em cópia. Uma referência pode ser percebida, deslocada, transformada e recombinada até carregar mais das tuas escolhas do que das dela. Metade dos exercícios é exatamente isso.
Nenhum desses vinte e um dias eu inventei numa tarde. Cada um treina uma coisa específica, com um mecanismo formulado por alguém que passou a vida estudando aquilo. E eu digo qual é, dentro da aula, antes de você fazer.
Viktor Shklovski · desautomatização perceptiva
Carl Jung · personificação arquetípica
Roman Jakobson · tradução intersemiótica
Joseph Campbell · mitologia pessoal
Georges Perec e o Oulipo · escrita com restrição
Jacob Moreno e Fritz Perls · psicodrama e cadeira vazia
Gaston Bachelard · paisagem interna
Remote Associates Test · associação remota
Você não precisa conhecer nenhum desses nomes pra fazer o exercício. Mas eles são a diferença entre treino e passatempo.
São dois minutos. É a aula 01 inteira, do jeito que ela está lá dentro, sem corte de anúncio e sem edição para impressionar. Não tem cadastro, não tem e-mail, não tem pegadinha.
Se fizer sentido, pega um papel e faz o exercício hoje. Leva vinte minutos, e aí você já começou.
Se não fizer, fecha a página e a gente fica bem.
Não é uma fila de exercícios soltos. Cada semana prepara a seguinte, e as três últimas aulas só existem porque as três anteriores existiram.
Dias 1 a 7. Sete exercícios, de 20 a 40 minutos cada.
Dias 8 a 14. Sete exercícios, de 20 a 45 minutos.
Dias 15 a 21. Sete exercícios, de 25 a 60 minutos.
Você trabalha com o que já está em volta de você: objeto, rotina, rua, uma cena de filme, uma música. Sai da semana com a matéria-prima que estava ali o tempo todo e você não enxergava, e com a primeira peça montada a partir dela.
É a semana que responde à página em branco. Você aprende a começar sem inspiração, usando limite e acaso como ponto de partida, e monta o vocabulário simbólico que faz o que você cria parecer seu e não de outro. Termina numa cena de teatro escrita por você.
Você constrói as peças separadas, personagem, mundo e símbolo, e depois funde as três numa coisa só. Fecha escrevendo um manifesto sobre o criador que você é.
Somando tudo, são entre nove e onze horas de trabalho com o caderno aberto. Menos de trinta minutos por dia, e cada aula diz o tempo antes de você começar, então você sabe quanto o dia vai custar.
E se três semanas te parecem pouco tempo: Stevenson escreveu O Médico e o Monstro em três semanas. Kafka escreveu A Metamorfose no mesmo prazo. Burgess escreveu Laranja Mecânica em vinte e um dias.
Ninguém está te pedindo Laranja Mecânica. Só estou dizendo que vinte e um dias dá pra muita coisa. Depende do que você faz com eles.
É pra você que:
Não é pra você que:
O que sai daqui serve pra aula, pra post, pra roteiro, pra produto, pra livro. E serve pra nada disso também, se o que você quer é só voltar a criar alguma coisa.
Se você leu a segunda coluna e se reconheceu em duas ou mais, não compra. Vai ser dinheiro parado e você já tem coisas demais paradas.
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Não é R$ 67 dividido por 21 exercícios. O acesso é vitalício e os exercícios não acabam no dia 21: você refaz cada um quantas vezes quiser, com material novo, pelo resto da vida. A conta não é por exercício, é por uso.
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Compra, assiste, faz os primeiros exercícios. Se dentro de sete dias você achar que não é pra você, pede o reembolso e recebe tudo de volta.
Não precisa justificar, não precisa ter assistido nada, não precisa provar que tentou. Pede e pronto.
Sete dias dá pra fazer os sete primeiros exercícios, que abrem juntos no dia da compra. Ou seja: dá pra experimentar a primeira semana inteira e ainda desistir sem pagar nada.
Eu poderia listar tudo que já estudei. Mas você não precisa de lista. Você precisa saber se o cara que fez isso sabe do que tá falando.
Entrei no Conservatório Brasileiro de Música aos oito anos. Me formei aos dezessete. De lá pra cá, nunca parei. Literatura clássica, filosofia, teologia, psicologia da formação intelectual, estudos do imaginário. Mais de duas décadas nisso.
E em todo esse tempo, o problema que eu mais vejo em quem gosta dessas coisas é sempre o mesmo. Repertório de sobra, produção nenhuma.
Repertório não vira criação sozinho. Ele vira quando você senta e trabalha. Todo dia. Inclusive nos dias em que o que sai é ruim.
Os vinte e um exercícios deste laboratório são isso: o trabalho, dividido em dias.
Não é um programa feito pra impressionar. É um programa feito pra te pôr a produzir.
Entre quinze e sessenta minutos, com média perto de trinta. Cada aula diz o tempo antes de você começar, então dá pra encaixar sabendo o que vai custar.
As sete primeiras aulas abrem juntas e as outras saem uma por dia. Você recupera no seu ritmo, e o acesso é vitalício, então dá pra recomeçar quando quiser.
Não. O programa alterna linguagens de propósito e eu recomendo que você saia justamente daquela que já domina.
Vai ficar, em vários dias. O programa é construído contando com isso. Não tem correção, não tem nota e ninguém vai ler.
Caderno e caneta. Quatro exercícios pedem um livro, um filme e uma música, e qualquer um que você já tenha em casa serve.
Não. É você, o exercício e o caderno.
Vitalício. E é de propósito: o epílogo manda você refazer os exercícios sempre que precisar.
Você fica com tudo que produziu, com os exercícios para refazer quantas vezes quiser e com um jeito de trabalhar que não depende mais de mim. Se quiser seguir estudando comigo depois, tem caminho. Mas o Laboratório se sustenta sozinho. Ele não é isca pra nada.
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Você chegou até aqui, o que já diz alguma coisa.
Ou fecha essa página e continua com o repertório parado, que é o que vem acontecendo há anos e vai continuar acontecendo sozinho.
Ou faz o dia 1 hoje.
Laboratório do Imaginário · um programa de Eduardo Berlim
Design por Francisco Netto